Chamemo-la de fase iconoclasta,
à minha poesia antes de cego.
Pintei, bordei. Porém não a renego.
Forçou-me a invalidez a dar um basta.
A nova não é casta, nem contrasta
com velhas anarquias. Só me entrego
ao pé, onde em soneto a língua esfrego.
Chamemo-la de fase podorasta.
Mas nem por isso é menos transgressiva.
Impõe-se um paradoxo na medida
da forma e da temática obsessiva:
na universalidade presumida,
igualo-me a Bocage, Botto e Piva.
Ao cego, o feio é belo, e a dor é vida.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Maldição
Muitas pessoas se agarram às praias da sanidade como se estivessem se afogando, resistindo à força das águas escuras e sedutoras. Embora, devido à sua dependência dos prazeres da sangue, elas conhecem um nível baixo, contudo constante, de loucura. A maioria das pessoas normalmente resiste a todas as outras perturbações. Alguns são devorados vivos pela Besta que reside nele. A maioria agarra a sanidade com uma mão tão fechada quanto à de um velho sovina.
Mas algumas pessoas mergulham onde os anciões mais sábios temem ir, liberando desejos diabólicos e caprichos insanos. Alguns fazem isto por escolha, mas o restante o faz porque são forcados. A maldição da loucura roubou sua escolha neste aspecto: eles podem concordar em mergulhar na loucura ou serem arrastados para as águas barrentas pelos grilhões da insanidade.
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