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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ensaístico

Chamemo-la de fase iconoclasta,
à minha poesia antes de cego.
Pintei, bordei. Porém não a renego.
Forçou-me a invalidez a dar um basta.

A nova não é casta, nem contrasta
com velhas anarquias. Só me entrego
ao pé, onde em soneto a língua esfrego.
Chamemo-la de fase podorasta.

Mas nem por isso é menos transgressiva.
Impõe-se um paradoxo na medida
da forma e da temática obsessiva:

na universalidade presumida,
igualo-me a Bocage, Botto e Piva.
Ao cego, o feio é belo, e a dor é vida.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Maldição


Muitas pessoas se agarram às praias da sanidade como se estivessem se afogando, resistindo à força das águas escuras e sedutoras. Embora, devido à sua dependência dos prazeres da sangue, elas conhecem um nível baixo, contudo constante, de loucura. A maioria das pessoas normalmente resiste a todas as outras perturbações. Alguns são devorados vivos pela Besta que reside nele. A maioria agarra a sanidade com uma mão tão fechada quanto à de um velho sovina.

Mas algumas pessoas mergulham onde os anciões mais sábios temem ir, liberando desejos diabólicos e caprichos insanos. Alguns fazem isto por escolha, mas o restante o faz porque são forcados. A maldição da loucura roubou sua escolha neste aspecto: eles podem concordar em mergulhar na loucura ou serem arrastados para as águas barrentas pelos grilhões da insanidade.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Exílio

Tudo é tão estranho...

Eu achei que doeria mais me livrar dos livros ("livrar-se de livros" é uma expressão genial e não canso de repeti-la), no entanto doeu tanto quanto uma lufada de vento. Achei que isso significa que aprendi a me adaptar mas o choque visual ao ver a prateleira diferente do que sempre foi denota não ser este o fato. A verdade é que consegui me livrar dos livros porque tais livros não significam mais nada para mim. São folhas de papel e tinta. Apenas isso. "Olho os livros na minha estante que nada dizem de importante" diria um compositor baiano sobre uma situação correlata.

Ouvi - li, na verdade - que esses livros fazem parte de mim. Não, não fazem. "Você não é o que você possui." Mas são símbolos de uma época: estes livros já foram minha vida. Dediquei muito tempo a estes livros. Alguns têm mais de 10 anos e se encontram como novos, como eram na época em que eu tinha "amigos". Hoje tudo é tão estranho...

Atualmente estes livros ocupam espaço e jazem parados enquanto poderiam estar por aí concedendo a falsa noção de felicidade que me concediam em uma época que ficou para trás... embora eu ainda viva nela.

Eu não consigo me adaptar a mudanças cotidianas. Não consigo mesmo. Isso é o que torna tudo tão estranho: o mundo gira e eu fiquei parado. Não estou preparado para viver em um mundo líquido, Sr. Bauman.

Todas estas mudanças fazem com que o mundo em que vivo hoje seja completamente diferente do que era seis meses atrás. Não é como se algo mudou e preciso me adaptar a uma única mudança. Todo o universo se transformou e não há nada a que me apegar.

(Meu único amigo vai contrair matrimônio e vai morar na terra do compositor citado no primeiro parágrafo. A Bahia é tão longe que é quase noutro Hemisfério. Eu aprendi que as pessoas que vão ao Hemisfério Norte não voltam mais como eram, acho que falei com o Henrique pouquíssimas vezes desde que voltou dos EEUU. Tudo está se tornando tão estranho...)

Tamanhas mudanças fazem com que o mundo em que vivo não seja mais o mundo em que vivia. Estou exilado do meu mundo. Eu lembro que Fernando Pessoa também se sentia assim. Também, como eu, Pessoa era um exilado espiritual (espírito = essência, consciência). O poeta português resolveu seu exílio espiritual através do exílio físico.

Talvez eu deva fazer isso: me tornar o estranho. Assim, estranho/passageiro/turista em um mundo estranho, talvez finalmente me sinta em casa...

(Johnny Cash diria: "What have I become, my sweetest friend?/Everyone I know goes away in the end/(...)If I could start again a million miles away/I will keep myself/I will find a way)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Anúncios

Criei esta postagem apenas como divulgação do material que estou vendendo no Mercado livre. As figuras levam aos links.

Ravenlof Cenário de Campanha e Ravenloft Nativos das Trevas

Demônio: A Queda

Kindred of the East e Kindred of The East Companion

Leis da Noite

Adeptos da Virtualidade

Portadores da Luz

Ventrue

Tempo do Sangue Fraco

Hunters Hunted

Demon Hunter X

Forgotten Realms

SADE

Lucifer Cartas na Mesa

O Último Castelo

Hellblazer Pecados Originais

Preacher: Indo para o Texas

Preacher: Até o Fim do Mundo

Preacher: Orgulho Americano

Preacher: Rumo ao Sul

Preacher: Guerra ao Sol

Preacher: Salvation

Preacher: Às Portas do Inferno

Preacher: Especiais

Hell Eternal

Hellboy: O Verme Vencedor

Blood: Uma história de Sangue

The Dreaming: O Fator Goldie

A Brigada dos Encapotados

Loki

Capitão América: Morre uma Lenda

Monstro do Pântano

Sin City



quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Hello Darkness, my old friend! I've come to talk with you again..."

O fim da vida de um homem é sempre mais marcado do que seu início. O pôr-do-sol é mais belo do que o nascer do sol. o que foi escrito como lembrança é mais valioso do que o que se perdeu nas areias do tempo. É mais valioso, pois nossa percepção muda conforme o tempo passa. O tempo que é o compositor de destinos, o tambor de todos os ritmos. Faz tempo, ou talvez nem tanto, desde que as águas da autopoiese desconstrutiva deixaram meu mundo e nem sequer pensava sobre, mas os eventos recentes mudaram o rumo dos ventos e o curso das águas... e a desconstrução autopoiética faz-se novamente necessária!

domingo, 11 de outubro de 2009

Frostburn

Estas doces palavras formam o silêncio
Não sou mais tão jovem; tive amores profundos, cheios de sofrimento
Enquanto meus cabelos negros cabelos eram pegos pelo vento
Iluminei seu caminho, aquecendo-lhe de um mundo tão frio

Beijei-a,
Enquanto seus lábios ainda estavam vermelhos
Enquanto ela ainda estava em seu sono silencioso
Enquanto seu colo ainda estava intocado
Sem o toque dos meus cabelos
Enquanto minhas mãos ainda estam sem o violino
Mergulhado em seus olhos enquanto eles ainda estavam cegos
Enquanto a noite ainda esconde o desanimador amanhã
Quando ela não estará aqui

O violino jaz agora às mãos do poeta
Todo coração gentil toca sua música com carinho
Por mais congelado que ele esteja
Ou devido às queimaduras de gelo

sábado, 26 de setembro de 2009

Prova de Geografia, turma 101

Intruções: Responder às cinco questões a seguir. Bom trabalho!

A) a + b = c. Quem é Deus?

B) Se você pode ser feliz onde está, então pode ser feliz em qualquer lugar. Discuta usando exemplos de sua própria vida.

C) O inferno são as Outras Pessoas. Você concorda? Demonstre como isto pode ser, ou não, aplicado nos seguintes casos:
1) O Massacre dos Armênios, em 1915;
2) Na vidade de Algernon Charles Swimburne ou na morte de Walt Disney;
3) Nas trevas antes da criação.
(Responda dois dos três)

D) Construa uma analogia usando a natureza salina das lágrimas ou do mar e o sal que torna a comida palatável, adicionando gosto e um sabor picante.
(Os alunos são encorajados a se referir à terceira filha de Ljyr ou à esposa de Lot, mas não a ambas.)

E) Se eu fosse Deus, aboliria.....................
Complete com pelo menos 250 palavras. A praticidade do materialismo e a natureza humana devem ser respeitadas As Leis de Conservação da Felicidade não podem ser violadas.

(Corresponde a 50% da nota final)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ateologia

O catecismo me ensinou, na infância, a fazer o bem po interesse e a não fazer o mal por medo. Deus me oferecia castigos erecompensas, me ameaçava com o inferno e me prometia o céu; e eu temia e acreditava.

Passaram-se os anos Eu já não temo nem creio. E em todo caso - penso -, se mereço ser assado vivo no inferno, condenado ao fogo longo e eterno, que assim seja! Assim me salvarei do purgatório, que deve estar cheio de horríveis turistas de classe média; e no final das contas, se fará justiça.

Sinceramente: merecer, mereço. Nunca matei ninguém, é verdade, mas por falta de coragem ou de oportunidade e não por falta de querer. Não vou à missa aos domingos, nem nos dias santos. Cobicei quase todas as mulheres de meus próximos, exceto as feias, e assim violei, pelo menos na intenção, a proprieda privada que o Todo-poderoso pessoalmente sacramentou nas tábuas de Moisés: "Não cobiçarás a mulher de teu próximo nem sua casa nem seu touro nem seu asno..." E como se fosse pouco, com premeditação e deslealdade, cometi o ato do amor sem o nobre propósito de reproduzir a mão-de-obra, Sei muito bem que o pecado carnal não é bem visto no céu, mas desconfio que Deus condena o que desconhece.

O Deus dos cristãos, Deus de minha infância, não faz amor. Talvez o único deus que nunca fez amor entre todos os deuses de todas as religiões da história humana. cada vez que penso nisso, sinto pena dele. E então o perdoo por ter sido meu superpai castigador, chefe de polícia do universo, e penso, que no final, Deus também foi meu amigo naqueles velhos tempos em que eu acreditava Nele e acreditava que Ele acreditava em mim. Então preparo a orelha, na hora dos rumores mágicos, entre o por-do-sol e o nascer-subir da noite, e acho que escuto suas melancólicas confidências. Ele nunca amou. Sorte dele!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Último texto

Eu me lembro
De uma conversa em
Um parque com nome de
Província européia.
Quando olhei o de sempre
De outra maneira.
Cores perfeitas.
As nuvens não eram brancas.
O céu não era azul.
Quanto tempo isso faz?
Uma caixa de lembranças...
Mil e uma noites.
A pintura rosada da mistura
De maioneses, catchup e mostarda
Na louça branca.
Pizza de beringela.
Nós, uns ou tantos mais.
As lembranças dos últimos
Dois meses são como uma passagem.
Para a doce vida.
Luzes de um lugar rosa.
Outro/mesmo cosmos era meu
Quarto e minha cama.
Ausência de enredo.
Um sentimento que poderia ser pra sempre,
Cada vez mais interno, para o fundo,
Cada vez mais externo, para o tudo.
Preferiste conservar este eco,
De um pacto anônimo doutro tempo.
Como um álbum de figurinhas.
Como uma coleção de pedacinhos do efêmero.
Como algo minúsculo
Que para mim foi grandioso.
E no entando foi quase nada.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Narciso re-loaded

Revendo atos das pessoas lembrei-me da seguinte estória. Não me recordo a fonte, pois contá-la-ei com meus motes e minhas recordações, do meu jeito.

Chamava-se Narciso o mais belo entre os mortais. Todos os dias ele ia ao lago observar seu reflexo e a cada dia apaixonava-se pelo próprio reflexo. Certa vez, ao maravilhar-se com sua imagem refletida na água, Narciso inclinou-se para beijar o próprio reflexo. Narciso caiu na água, e como não sabia nadar, afogou-se.

Essa é a história.

No entanto, após sua morte as ninfas e os faunos da floresta entristeceram-se e foram chorar às margens do lago de Narciso. Ao sentir uma lágrima em seu corpo aquoso, o lago perguntou "quem derramou esta gota de água salgada em mim?"

"Perdoe-nos, lago. Chorávamos por Narciso que não nos agraciará com sua beleza novamente. Mas quem mais do que você deve estar sofrendo? Era em tuas águas que ele se refletia todas as manhãs..."

O lago ficou confuso com o comentário. Nunca havia percebido a beleza de Narciso. Apenas que podia ver suas belas águas refletidas nos olhos azuis de Narciso.

domingo, 31 de maio de 2009

Homenagem ao Mal do Século - Morro porque não morro

Vivo sem viver em mim
E de tal maneira espero
Que morro porque não morro

1. Em mim eu não vivo já,
E sem ela viver não posso;
Pois sem ela e sem mim quedo,
Este viver que será?
Mil mortes se me fará,
Pois minha mesma vida espero,
Morrendo porque não morro.

2. Esta vida que aqui vivo
É privação de viver;
E assim, é contínuo morrer
Até que viva contigo.
Ouve, meu Deus, o que digo,
Que esta vida não a quero
Pois morro porque não morro.

3. Ausente estando eu dela,
Que vida poderei ter
Senão morte padecer,
A maior que jamais vi?
Pena e dó tenho de mim,
Pois se assim eu persevero,
Morrerei porque não morro.

4. O peixe que da água sai
Nenhum alívio carece
Que na morte que padece,
Afinal a morte lhe vale.
Que morte haverá que se iguale
Ao meu viver lastimoso,
Pois se mais vivo, mais morro?

5. Quando penso aliviar-me
Vendo-te no Sacramento,
Faz-me em mim mais sentimento
De não podê-la gozar;
Tudo é para mais penar,
Por não vê-la como quero,
E morro porque não morro.

6. Se me deleito, Senhor,
Com a esperança de vê-la,
Vendo que posso perdê-la
Redobra-se em mim a dor;
Vivendo em tanto temor
E esperando como espero,
Morro sim, porque não morro.

7. Livra-me já desta morte,
Meu Deus, entrega-me a vida;
Não a tenhas impedida
Por este laço tão forte;
Olha que peno por vê-la,
O meu mal é tão inteiro,
Que morro porque não morro.

8. Chorarei já minha morte
Lamentarei minha vida,
Enquanto presa e retida
Por meus pecados está.
Oh! Meu Deus! Quando será
Que eu possa dizer deveras:
Vivo já porque não morro?

Licença poética de Santa Bárbara

sábado, 30 de maio de 2009

Prece Profana

Benditos aqueles que não temeram o reflexo de sua própria face, debruçados no negro espelho do abismo, pois eles viram o Inimigo, mas não o reconheceram.

Benditos os que estão perdidos, vagando sozinhos no silêncio dos desertos, no quadrilátero infeliz das cidades, tecendo desencontros reincidentes em cada esquina. Porque eles são como linhas paralelas, singulares, e atingirão seus destinos, mas não o sabem.

Benditos aqueles que não esperam piedade e tampouco a negam, porque seu amor é duro e límpido como o cristal de quartzo e eles são belos como o sorriso dos desesperados e doces como a força que ondula sob a pele dos tigres.

Abençoados sejam os que choram, e são como crianças, inteiros na dor, perplexos e inconformados. Os que trazem no corpo a marca sangrenta do Amor e um coração estarrecido e implacável, amantes ferozes como lobos. Pois eles conhecem a face real de Deus, e estão exaltados, elevados como anjos. Eles também partilharão do êxtase, e estarão na alegria, embora não creiam.

Abençoados sejam os proscritos, e todos os que são eternos forasteiros, aonde quer que vão. Aqueles aos quais ninguém conhece, nem se importa, nem fala seu idioma. Os que basta olhar para saber que vieram de muito longe, e que parecem áridos, mas são ardentes como tochas, firmes e distantes como as montanhas. Pois esses dominam o mistério da comunhão, e sabem que estamos todos presos em universos muito distintos, incomunicáveis.

Benditos os rebeldes e sonhadores de planos amorosos, os que levam sozinhos a responsabilidade de seu querer, e sabem o que destruir, e o tempo de cada ritmo, e arrasam com mão terna, e tem o olhar agradecido. Porque esses viram a Rosa e o Segredo, e florescem no Caos, e são estranhos como as perguntas das crianças.

Bem-aventurados os que não confiam nos deuses, e mesmo assim os amam. Os que não necessitam de poemas, os que estão além das palavras, os que apenas sorriem e abrem os braços...

Os grandes que não ocupam muito espaço, os mínimos mas inteiros, os que não querem falar a respeito, os que esqueceram de tudo : esses estão mais próximos da Fonte Suprema, da Realidade Última, do Mistério Primordial.

Acima de tudo, benditos sejam os que enlouqueceram de Amor e estão mais além de toda dor ou prazer, pois esses são os favoritos da Vida, e no esquecido Jardim retomarão a Dança, e adormecerão tranquilos como gatos ao sol, sobre a relva, à beira do rio, com a mão de um anjo em seus cabelos.

Prece Cristã

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os fracos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque receberão misericórdia.

Bem-aventurados os Puros de coração, pois estes verão Deus.

Bem-aventurados os que buscam a paz, pois serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós.

Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.

Mateus 5; 3-12

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Solilóquio

Um Padre foi chamado certa vez de sonhador. Sonhava tanto que o chamaram de Sonho. Com o tempo, o Sonho tornou-se um Lobo.
Um Lobo Cinzento.
Um Lobo-Mau.
Um Lobo da Estepe, sem pátria e solitário odiador do mundo moderno.
Seu passado de Sacerdote não lhe causava lástima. Pelo contrário. Lastimável era agora o presente, com todas essas horas e dias incontáveis que ele perde, que ele vive em sofrimento, que não lhe trazem nenhuma dádiva nem a menor comoção.
Mas como tudo muda, uma dia o Lobo tornou-se um Anjo.
Um anjo da guarda.
Um anjo de asas cinzentas.
Um anjo tropeçado de asas chamuscadas, mas incapaz de cair.
Por fim, o Anjo tornou-se um Lobo
Um lobo de si mesmo
Um Lobo Solitário...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...


de Alphonsus de Guimaraens
Construí um castelo de cartas até o céu. Ao vê-lo resolvi usá-lo como escada, mas ao subir nele, o óbvio ocorreu e que não me havia ocorrido: ele desmoronou. E na queda me machuquei. Desde então ando me arrastando...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pra que serve isso?

Sério, pra que serve a internet?
Alimentamos esperanças de coisas que não são reais,
Descobrimos coisas as quais não devíamos saber,
(Ou que se não soubessemos seríamos muito mais felizes)
Acabamos nos isolando do mundo real

Para um admirável mundo novo onde
As árvores são formadas por bytes
E onde deixamos que os dedos falem uma língua
Que não é a nossa ou simplesmente
Aprendemos uma receita de pudim...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lacrima Angelorum

Ocorreu um jogo da feiticeira em mim: falamos de sonhos, de carretéis, de dragões, de deuses, de mundos, de fadas, de monstros cobertos de lodo, Cavaleiros de Armadura negra, herdeiros da magia, labirintos, faunos e espelhos; dividimos lembranças e modelamos um futuro que não se cumpriu.

terça-feira, 31 de março de 2009

Estou Tonto

Estou tonto,
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
Ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
E não sei bem se me devo levantar da cadeira
Ou como me levantar dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.

Afinal
Que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
Tudo aproximações,
Tudo função do irregular e do absurdo,
Tudo nada.
É por isso que estou tonto ...

Agora
Todas as manhãs me levanto
Tonto ...
Sim, verdadeiramente tonto...
Sem saber em mim e meu nome,
Sem saber onde estou,
Sem saber o que fui,
Sem saber nada.

Mas se isto é assim, é assim.
Deixo-me estar na cadeira,
Estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
E tonto,
Sim, tonto,
Tonto... Tonto.

Álvaro de Campos