sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ateologia

O catecismo me ensinou, na infância, a fazer o bem po interesse e a não fazer o mal por medo. Deus me oferecia castigos erecompensas, me ameaçava com o inferno e me prometia o céu; e eu temia e acreditava.

Passaram-se os anos Eu já não temo nem creio. E em todo caso - penso -, se mereço ser assado vivo no inferno, condenado ao fogo longo e eterno, que assim seja! Assim me salvarei do purgatório, que deve estar cheio de horríveis turistas de classe média; e no final das contas, se fará justiça.

Sinceramente: merecer, mereço. Nunca matei ninguém, é verdade, mas por falta de coragem ou de oportunidade e não por falta de querer. Não vou à missa aos domingos, nem nos dias santos. Cobicei quase todas as mulheres de meus próximos, exceto as feias, e assim violei, pelo menos na intenção, a proprieda privada que o Todo-poderoso pessoalmente sacramentou nas tábuas de Moisés: "Não cobiçarás a mulher de teu próximo nem sua casa nem seu touro nem seu asno..." E como se fosse pouco, com premeditação e deslealdade, cometi o ato do amor sem o nobre propósito de reproduzir a mão-de-obra, Sei muito bem que o pecado carnal não é bem visto no céu, mas desconfio que Deus condena o que desconhece.

O Deus dos cristãos, Deus de minha infância, não faz amor. Talvez o único deus que nunca fez amor entre todos os deuses de todas as religiões da história humana. cada vez que penso nisso, sinto pena dele. E então o perdoo por ter sido meu superpai castigador, chefe de polícia do universo, e penso, que no final, Deus também foi meu amigo naqueles velhos tempos em que eu acreditava Nele e acreditava que Ele acreditava em mim. Então preparo a orelha, na hora dos rumores mágicos, entre o por-do-sol e o nascer-subir da noite, e acho que escuto suas melancólicas confidências. Ele nunca amou. Sorte dele!

Um comentário: