domingo, 1 de maio de 2011

A Lenda

Conta a lenda que, quando Deus liberou o conhecimento sobre como ensinar os homens, determinou que aquele"saber" ficaria restrito a um grupo muito selecionado de sábios.. Mas, neste pequeno grupo, onde todos se achavam "semi-deuses", alguém traiu as determinações divinas...

Aí aconteceu o pior!!!!!!........

Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns mandamentos:

1º - Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º - Não verás teu filho crescer.

3º - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

4º - Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais terás úlcera.

5º - A pressa será teu único amigo e as tuas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o china in box,se for da escola privada,na pública, o que sobrou do lanche dos alunos.

6º - Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.

7º - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho;

8º - Dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás.

9º - Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único,porque não terás tempo de ver outras coisas.

10º - As pessoas serão divididas em 2 tipos: as que ensinam e as que não entendem. E verás graça nisso.

11º - A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.

12º - Happy Hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como tu,quando sobrar dinheiro do salário.

13º - Terás sonhos, com cronograma, planejamento, provas, fichas de alunos, provas substitutivas e não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono..

14º - Exibirás olheiras como troféu de guerra.

15º - E, o pior........ inexplicavelmente gostarás de tudo isso...

domingo, 3 de abril de 2011

O Menino Azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

(Cecília Meirelles - Tradução)

sábado, 9 de outubro de 2010

Noia

A cada canto de um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana, e vinha
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um frequentado olheiro,
Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para levar à praça, e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés os homens nobres
Posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,
Todos, os que não furtam, muitos pobres,
E eis aqui a Escola Francisca.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Subsolo

Eu sou um homem amargo... um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado. Aliás não entendo níquel da minha doença e não sei ao certo do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Ademais, sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos o bastante para respeitar a medicina. (Sou suficientemente instruído para não ter nenhuma superstição, mas sou supersticioso.) Não, se não quero me tratar, é apenas de raiva. Certamente não compreendeis isso. Ora, eu compreendo. Naturalmente não vos saberei explicar a quem exatamente farei mal, no presente caso, com a minha raiva[...]
Pois, em primeiro lugar, tenho culpa de ser mais inteligente que todos a minha volta. (Considerei-me, continuamente, mais inteligente que todos à minha volta, e às vezes - acreditam? - tinha até vergonha disso. Pelo menos, a vida toda olhei de certo modo para o lado e nunca pude fitar as pessoas nos olhos.)

Fíodor Dostoievsky em Memórias do Subsolo

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Hello Darkness, my old friend! I've come to talk with you again..."

O fim da vida de um homem é sempre mais marcado do que seu início. O pôr-do-sol é mais belo do que o nascer do sol. o que foi escrito como lembrança é mais valioso do que o que se perdeu nas areias do tempo. É mais valioso, pois nossa percepção muda conforme o tempo passa. O tempo que é o compositor de destinos, o tambor de todos os ritmos. Faz tempo, ou talvez nem tanto, desde que as águas da autopoiese desconstrutiva deixaram meu mundo e nem sequer pensava sobre, mas os eventos recentes mudaram o rumo dos ventos e o curso das águas... e a desconstrução autopoiética faz-se novamente necessária!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Vendeta

Voilá, Velhos! Sou um Vigilante Vívido Visando Varrer Várias Verdades Verborrágicas, Virando, à Vista, um humilde Veterano do teatro de Variedades escalado como Vítima e Vilão pelas Vicissitudes do destino. Esta Visage não é um mero Vestígio de Vaidade. É um Vestigio da Vox Populi, que não mais existe. No entanto, esta Valente Visita de um irritante ser ultrapassado Visa Varer esses Vermes Venais e Virulentos da Vanguarda do Vicío que permitem a Viciosa e Voraz Violação da Vontade.
O único Veredicto é a Vingança. A Vendeta tida como Votiva, não por Vaidade, pois o Valor e a Veracidade de tal devem um dia Vindicar os Vigilantes e os Virtuosos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Se eu fosse mais jovem, fugiria desta cidade
E esconderia meus sonhos no subsolo
Assim poderia bebemos até morrer, poderia à noite ou de dia
Longe de casa, com um guarda-chuva
Eu procuro um rei para derrubar
Eu vou derrubá-lo, ele ainda não foi encontrado, não está por aí
Que venha a nova estação - em que tudo é certo e errado
Que venha a nova estação - em que vou derrubar um rei
E ele trespassa o silêncio do meu sono à noite
E ele trespassa a noite, a noite toda, toda a noite
E ele trespassa o silêncio, procurando o que me resta
Tudo o que resta é o que quero esconder
No subsolo