Aquilo que fora chamado por Neil Gaiman de A Primeira História parece bem simples de entender e existem mais versões desta história do que gravações de Yesterday.
Caim era agricultor; Abel, pastor de ovelhas. Ambos necessitavam fazer um sacrifício a Deus e cada qual sacrificou o fruto de seu trabalho. Ao Senhor não atentou o sacrifício cainita enquanto o de Abel o satisfez, conquanto o pastor não teve tempo para comemorar pois a inveja do irmão o assassinou.
Ouros dirão que Deus aceita apenas sacrifícios de sangue.
Um sem número de cátaros diria que Abel sacrificou seu item de maior importância - um carneiro - e Caim apenas fez o mesmo - o próprio irmão.
Particularmente, eu gosto dos teólogos modernos que não acreditando no conto da carochinha tentam dar uma explicação pseudo-antropológica: Caim representa a Revolução Neolítica pondo fim aos pastores/caçadores nômades como Abel. E é óbvio que isso não é verdade, pois o Senhor puniu Caim a se tornar nômade como alegam que sua vítima fora.
Independente do que ocorreu, Caim foi amaldiçoado a vagar pela Terra de Node, onde seria eterno estrangeiro por onde quer que passasse, sem fixar raízes em lugar algum. Eterno expatriado, solitário, sem rumo, deslugarizado e desterritorializado. Para o crime do assassinato, uma punição à altura: a morte da alma e da humanidade (Heidegger dizia que o que nos faz humanos é nossa capacidade de atribuir significado aos lugares).
Hoje me descobri com a Maldição de Caim...

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